Existe um certo olhar de desconfiança quando se fala a respeito de sindicato, na medida que é um tema, pouco discutido atualmente, relacionado a intervenção no processo de negociação coletiva do trabalho, onde o que é importante não é "ficar em cima do muro", na medida em que já caiu, só que ainda continua sendo fonte fonte de inspiração de sindicalistas dissociados da realidade do país onde vivem.
A instituição sindical é antiquíssima, data do
século XVI na Europa. Surge no Brasil com a Constituição de 1938. Na década de
50, a igreja é o principal agente do Estado na disputa com partidos
políticos no campo da educação popular. A CNBB cria o movimento de educação de
base, que terá ramificações nos sindicatos atuais que surgiram na segunda
metade da década de 70.
É importante compreender a distinção de Sindicato e
Sindicalismo. Sindicalismo e sindicato são dois conceitos distintos, mas
necessariamente consistentes entre si. O sindicalismo surgiu no século XIX
como proposta doutrinária de tendência socialista. Em certo sentido,
promulgava-se uma revolução do proletariado, mas um proletariado economicamente
ativo e organizado. Organizado politicamente em torno da defesa dos interesses
de uma classe social, mas livre da ingerência de partidos
políticos. Pretendia-se, de imediato, harmonizar o regime capitalista e, no
futuro, ganhar o poder e mudar a estrutura do Estado e da sociedade.
Resumindo: o sindicalismo visa a futura apropriação do poder social,
por parte dos trabalhadores organizados, e o sindicato visa obter
determinadas conquistas trabalhistas "aqui e agora".
O aqui e o agora de um sindicato passa pela
negociação coletiva, que possui característica comum a qualquer outro tipo de
negociação, devendo ter um desfecho: acordo ou desacordo. Esse processo se
alicerça basicamente em:
- estabelecer objetivos da negociação;
- administração das informações;
- apresentação de argumentos; e
- disponibilidade de alternativas.
A prática tem demonstrado que quando há
bom senso e ponderação, os resultados sempre irão atender os dois lados da
mesa, sendo requisito atual para os dirigentes sindicais, a maturidade das
partes envolvidas. Contudo, o que se observa na maioria da negociações
sindicais é a intransigência política ideológica, dissociada das informações,
argumentos e alternativas possíveis.
No mundo atual os conceitos do
empregado sem patrão estão consagrados a ficção. Todo empregado sabe que vai
ter um chefe privado ou público para lhe cobrar um determinada produção ou
resultado. Neste contexto,os sindicalistas precisam se atualizar para um novo
ambiente de mudanças profundas e globalizadas,onde empregos novos são criados e
antigos são destruídos, sem que o sindicato e o empresário possam fazer
qualquer coisa.
O despertar para essa nova realidade
ainda é um pesadelo para alguns lideres sindicais, dissociados deste tempo, e
que não mais compreendem o que está acontecendo no mundo, e que irá afetar de
forma decisiva a vida de seus associados.
É tempo de acordar - cooperar - evoluir.
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